Gerson: um lírico entre envelopes

25 de janeiro a 4 de março de 2007

Durante mais de 40 anos, Gerson de Souza, ou Gerson, simplesmente, exerceu a profissão de carteiro, sem deixar a pintura, sua verdadeira vocação que aflorou quando ele ainda vivia no Recife, onde nasceu. O carteiro e o pintor ao mesmo tempo levaram o pernambucano a ser principalmente observador arguto das parcelas menos favorecidas da sociedade. Pois é esse artista que, aos 80 anos, recebe agora a homenagem há muito esperada pelas seis décadas de dedicação à arte.

Gerson é um dos grandes representantes da pintura naïf brasileira, ou pintura ingênua, linguagem de pintura daqueles que, embora autodidatas, são dotados de rara sensibilidade a serviço da identidade atávica nas suas criações. Acrescente-se a isso o fato de Gerson ter exercido a função de carteiro por mais de 40 anos nos Correios e Telégrafos, onde ingressou por concurso quando se transferiu para o Rio de Janeiro, em 1956. Mesmo sendo nome premiado e consagrado pela crítica de arte, jamais deixou de lado a profissão da qual muito se orgulha. “Um lírico entre envelopes”, no dizer do pintor e desenhista Augusto Rodrigues.

Conhecido a partir de 1959, depois do encontro com o pintor Augusto Rodrigues – que o orientou e o encaminhou à Escolinha de Arte do Brasil –, Gerson aprimorou nos recintos desta instituição os dotes artísticos iniciados no Recife.

Desde suas primeiras participações em exposições coletivas e salões de arte, inclusive na Bienal Internacional de São Paulo e no Salão Nacional de Arte Moderna, Gerson vem recebendo críticas favoráveis ao seu trabalho. Surpreende no artista o impressionismo de suas figuras urbanas, perplexas e satíricas, que provocam o espectador com olhos profundamente inquisidores, todavia fincadas no solo nordestino de onde provêm. Personagens de folguedos tradicionais, como Chegança ou Cavalhada, tanto podem ser integrantes de tradicional manifestação popular quanto falsos ditadores, bufões que ainda pululam pelo terceiro mundo. Gerson parece se divertir quando as pinta, mas a sua mensagem é a de um artista pasmado diante de seres como prostitutas, marinheiros e astronautas, todos tão puros ao seu olhar quanto os santos e beatos que povoam a religiosidade do povo, também temas freqüentes na sua obra.

As pinturas de Gerson já percorreram várias capitais do mundo e, mais recentemente, estiveram presentes na mostra Arte Naïf Brasil-Haiti, promovida pelos Ministérios das Relações Exteriores do Brasil e do Haiti.Dicionários e livros de arte referem-se ao pintor recifense com grandes encômios sobre a importância da linguagem espontânea na arte contemporânea:

“Gerson é pintor ingênuo, dos melhores, em verdade, do país. Sua pintura, que em grande parte consagra temas místicos, da religiosidade popular nordestina, exprime-se através de rigoroso desenho, com boa estruturação formal e realçada por sensível colorido” – diz sobre ele o crítico José Roberto Teixeira Leite, em seu Dicionário Crítico da Pintura no Brasil.

Pintor de linguagem popular que vai muito além das repetitivas festinhas juninas e evocações interioranas – freqüentes em outros pintores da mesma linhagem –, Gerson representa o interior de um artista através da região que ele tão bem representa na criação plástica, não só pela expressividade, mas também pela força da temática.

Geraldo Edson de Andrade
curador

Curadoria
Geraldo Edson de Andrade

Direção Geral e Produção Executiva
Valéria Machado Colela

Designer da Exposição
Lídia Kosovski

Projeto Luminotécnico
Milton Giglio

Assistentes de Produção
Dinéa Palma
Leonardo Salomão
Maurício Pereiraa

Montagem das Obras
Museu Museologia e Museografia

Montagem da Iluminação
Márcio Giglio
Adilson de Assis
Renato Vieira
José Roberto Rosa dos Santos

Cenotécnica
LCR Produções

Laudo Técnico
Evaldo Portela

Seguro
Affinité Consultoria e Corretagem de Seguros

Transporte das Obras
Atlantis Fine Arts

Assessoria de Imprensa
Ângela Tostes e Jane Barboza

Assessoria Jurídica
Eny Moreira

Projeto Gráfico
Quadratim

Assistentes de Projeto Gráfico
Giovana Vaz e Noel Rabacov

Revisão de Textos
Beatriz Branquinho

Fotografia
Juvenal Pereira

Assistentes de Fotografia
Clara Pereira e Luca Colela

Agradecimentos
Ana Clara Lamm
Fiorela N. de Salles
Gilberto Gil de Sá Cabral
Gilberto Lamm
Jaqueline A. Finkelstein
Lucien Finkelstein
Luiz Fernando Pontes
Marcio Cavalcanti
Marisa Campos da Paz

e a todas as pessoas que de uma forma ou de outra contribuíram para a realização desta exposição.

Apoio
Atelier da Luz
Atlantis
Quadratim

Produção
Luz Produções

Realização
Centro Cultural Correios

Patrocínio
Correios
MinC
Governo Federal